"Fábula é
uma narrativa alegórica em prosa ou verso, cujos
personagens são geralmente animais, que conclui
com uma lição moral. Sua peculiaridade reside
fundamentalmente na apresentação direta das
virtudes e defeitos do caráter humano,
ilustrados pelo comportamento antropomórfico dos
animais. O espírito é realista e irônico e a
temática é variada: a vitória da bondade sobre a
astúcia e da inteligência sobre a força, a
derrota dos presunçosos, sabichões e orgulhosos
etc. A fábula comporta duas partes: a narrativa
e a moralidade. A primeira trabalha as imagens,
que constituem a forma sensível, o corpo
dinâmico e figurativo da ação. A outra opera com
conceitos ou noções gerais, que pretendem ser a
verdade "falando" aos homens.
Cabe
salientar que o elemento dominante, para o gosto
moderno, costuma ser a narrativa. A moralidade
ou significação alegórica, ainda que anime o
todo, jaz de preferência nas entrelinhas, de
maneira velada. Os antigos tinham ponto de vista
diferente. Para eles, a parte filosófica era
essencial. Para atingirem de modo mais direto o
alvo moral, sacrificavam a ação, a vivacidade
das imagens e o drama. Assim, a evolução da
fábula pode ser cifrada na inversão do papel
desses dois elementos: quanto mais se avança na
história, mais se vê decrescer o tom
sentencioso, em proveito da ação. A presença da
moral, no entanto, nunca desapareceu de todo da
fábula. Explicitada no começo ou no fim, ou
implícita no corpo da narrativa, é a moralidade
que diferencia a fábula das formas narrativas
próximas, como o mito, a lenda e o canto
popular. Situada por alguns entre o poema e o
provérbio, a fábula estaria a meio caminho na
viagem do concreto para o abstrato."